A ALEGRIA EM UM TURBANTE
Um turbante.
Uma multinacional.
Um escritório.
Pessoas colaborando em equipe.
Década de 70.
Um chefe “destemido” vestiu-se de turbante para promover o que mais gostava de fazer no trabalho: espalhar alegria.
O nome dele? José Luiz Velloso. Sim, meu avô.
Naquela época, metas e adoecimento no trabalho eram temas não tão comuns de serem falados no dia a dia corporativo. Entregas eram demoradas, processos mais longos e morosos, demandas altas também.
Mas, um ponto em comum com os dias atuais é: a necessidade de se ter um espaço agradável para se trabalhar.
Quanto a isso, meu avô fazia muito bem.
Não, não vivi naquela época, atuando junto com ele, mas posso provar: o meio como ele escolhia engajar a equipe era peculiar e único.
Trago exemplos: o turbante, assim como outros adornos que ele usava no ambiente de trabalho, era uma maneira de descontrair, de levar alegria – de forma lúdica – ao trabalho.
Num outro momento, ele, chefe de setor, resolveu inovar: no intervalo do almoço dos colaboradores, quando todo mundo saiu da sala, uniu as banquetas com um barbante. Como era um escritório de projetos, usavam pranchetas, banquetas, papel manteiga, caneta nanquim. Amarrou umas banquetas nas outras, com auxílio de um barbante que, o primeiro que puxasse a banqueta, faria todas as outras caírem também, como num efeito dominó.
Era aquele “auê” todo! Entre risadas e indignações, o que prevalecia era o bom humor. E, digo mais, o bem estar.
Por mais que algumas reações fossem adversas, aquele que se divertia convidada o insatisfeito a ver o lado bom da situação.
O que eu quero dizer com isso tudo é que, sim, se obtém resultados positivos quando o ambiente é leve e descontraído. É claro que aqui relato situações que envolvem humor nato (meu avô fazia piada com tudo, com letras de placas de carro, com objetos de casa, com a idade dele, fazia trocadilhos… tinha uma criatividade aguçada) e característico dele. Ele fazia as pessoas rirem e se sentirem acolhidas. Tanto é que, quando tinha algum evento da empresa, as pessoas perguntavam se ele estaria presente também. Porque a presença dele fazia bem e estar com ele era um diferencial.
A mensagem que trago aqui é de que, não precisa rir o tempo todo ou fazer piada a todo instante ou, ainda, promover ações “mirabolantes” para fazer com que o ambiente seja leve e alegre, mas, sim, é possível inovar com pequenas ações que fazem as pessoas se sentirem pertencentes, integradas e com vontade de ir trabalhar.
Um ambiente inovador, que promove a alegria consciente, através de ações que tenham atenção e cuidado com a saúde mental e com a regulação de emoções são favoráveis ao crescimento e à expansão dos negócios.
Se na década de 70 já era agregador, imagina nos anos 2026… evoluímos? Melhoramos?
Mudanças são percebidas, mas ainda a passos lentos. Começar e continuar. Foi preciso uma lei para normalizar uma mudança? Foi preciso uma lei para promover novos olhares para a saúde integral das pessoas?
Independente de lei ou não, como facilitadora de desenvolvimento humano e organizacional, digo que sim, vou continuar fazendo o meu trabalho de despertar as pessoas, de promover o autoconhecimento para liderar com consciência e mentalidade expandida para novos modelos de trabalho, incluindo a alegria, a felicidade, o bem-estar nas organizações. De forma coerente e respeitosa com o ser humano. SER HUMANO
E agora, pergunto: Como você pode inovar, incluindo a alegria e o bem-estar congruente com as demandas crescentes no ambiente de trabalho?
